quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

PALESTRA HEGEMÔNICO – A CAMPANHA DO PRIMEIRO TRI

Por Wallace Graciano*
Cruzeiro de 1928/1929/1930

Grandes clubes marcaram época no futebol mineiro, mas poucos trouxeram tanto temor ao adversário quanto o Palestra que foi hegemônico no final da década de 1920. O início da montagem do super time começou em 1927, quando seus rivais, já cientes da força do escrete palestrino, buscaram reforços oferecendo cargos no poder público, em um período amador.

Em contrapartida, quatro atletas do Palestra de São Paulo desembarcaram em Minas Gerais. Morganti, Morgantinho, Carazzo e Osti foram os novos nomes que se somaram ao técnico recém contratado, Maturi Fabbi, para reforçar a equipe que se tornou uma das maiores da história do futebol mineiro.

Durante três anos, a bola balançando as redes adversárias eram um costume para os torcedores que lotavam as arquibancadas do estádio do Barro Preto. Somente uma vez o time montado por Matturi Fabbi saiu derrotado. Confira as campanhas e os times base:

A CAMPANHA DO TRI
1928
Data Adversário Placar Local Gols do Palestra
6/5 Villa Nova 3 x 1 Barro Preto Ninão (3)
3/6 Sport Calafate 11 x 0 Barro Preto Bengala (4), Zezinho e Ninão (6)
17/6 Alves Nogueira 14 x 0 Barro Preto Ninão (10), Bengala (3) e Zezinho
8/7 Sete de Setembro 9 x 1 Barro Preto Ninão (3), Bengala (4) e Zezinho (2)
5/8 América 6 x 4 Barro Preto Ninão (4), Bengala e Zezinho
12/8 Guarany 11 x 1 Barro Preto Nereu, Ninão (4), Bengala (4) e Zezinho (2)
2/9 Atlético 0 x 2 Barro Preto -
11/11 Alves Nogueira 8 x 1 Barro Preto Ninão (4) e Bengala (4)
25/11 Sete de Setembro 2 x 2 Barro Preto Zezinho (2)
2/12 Sport Calafate 6 x 1 Barro Preto Bengala (2), Piorra, Zezinho, Ninão e Eduardo (contra)
9/12 América 2 x 1 Estádio do América Bengala e Ninão
16/12 Atlético 2 x 2 Barro Preto Armandinho e Ninão
23/12 Palmeiras 11 x 1 Barro Preto Armandinho (2), Ninão (4), Bengala (4) e Zezinho
6/1/1929 Villa Nova 6 x 1 Bonfim Bengala (4) e Ninão (2)

Time base: Albino (Geraldo), Nereu, Rizzo; Bento, Pires, Nininho; Piorra (Osti), Ninão, Zezinho, Armandinho e Bengala Técnico: Matturi Fabbi

Curiosidade

O Atlético não aceitou o título palestrino e tentou levá-lo no tapetão. Conseguiu uma denúncia contra o atleta Carazzo, vinda da Federação Paulista, de que o jogador não cumprira seu estágio no Palestra Paulista, o que deixou o título sob júdice. Seis meses mais tarde, foi comprovada a farsa, montada por um funcionário da Federação ligado ao Corinthians que buscava prejudicar o arqui-rival paulista.

1929
Data Adversário Placar Local Gols do Palestra
5/5 Alves Nogueira 12 x 0 Barro Preto Bengala (4), Ninão (5), Piorra e Zezinho (2)
26/5 Guarany 7 x 2 Guarany Barro Preto Piorra, Ninão (2), Bengala e Zezinho (3)
9/6 Atlético 3 x 1 Antônio Carlos Ninão e Bengala (2)
23/6 Sport Calafate 3 x 0 Barro Preto Armandinho e Bengala (2)
30/6 Sete de Setembro 5 x 3 Barro Preto Zezinho, Ninão (2), Bengala e Armandinho
7/7 América 3 x 0 Estádio do América Ninão (2) e Bengala
28/7 Palmeiras 8 x 0 Barro Preto Ninão (4), Carazzo, Zezinho (2) e Bengala
11/8 Alves Nogueira 11 x 0 Barro Preto Bengala (2), Carazzo (2) Piorra (2), Ninão (3), Zezinho e Nereu
18/8 Santa Cruz 10 x 2 Barro Preto Carazzo (3), Bengala (4) e Ninão (3)
25/8 Guarany 8 x 1 Barro Preto Ninão (4), Zezinho (3) e Carazzo
8/11 América 3 x 1 Barro Preto Armandinho (2) e Ninão
17/11 Atlético 5 x 2 Barro Preto Ninão (2), Armandinho, Bengala e Binga (contra)
24/11 Sete de Setembro 5 x 0 Barro Preto Ninão (4) e Carazzo

Time base: Geraldo (Armando), Nereu (Para-raio), Rizzo; Bento, Pires, Nininho; Piorra, Ninão, Carazzo (Zezinho), Armandinho e Bengala Técnico: Matturi Fabbi

Curiosidade
Tamanha era a habilidade daquele time—campeão com 100% de aproveitamento—, que ficou conhecido como “time-poesia”.

1930
Data Adversário Placar Local Gols do Palestra
20/4 Palmeiras 11 x 0 Barro Preto Ninão (4), Bengala (4), Carazzo, Armandinho e Pires
27/4 Sport Calafate 6 x 0 Barro Preto Ninão (4), Niginho e Carazzo
4/5 Villa Nova 3 x 2 Bomfim Bengala, Pires e Ninão
31/5 Atlético 2 x 1 Antônio Carlos Piorra e Carazzo
8/6 Guarany 3 x 0 Barro Preto Carazzo (2) e Nininho
15/6 Barro Preto 4 x 1 Barro Preto Bengala (2), Piorra e Pires
29/6 Sete de Setembro 3 x 1 Barro Preto Bengala (2) e Malleta
13/7 Palmeiras 12 x 0 Barro Preto Nininho (3), Malleta (6) e Bengala (3)
20/7 Sport Calafate 3 x 1 Barro Preto Carazzo (2) e Calixto
27/7 Villa Nova 5 x 1 Barro Preto Bengala (2), Niginho (2) e Carazo
3/8 Guarany 8 x 0 Ninão (4), Carazzo (2) e Bengala (2)
10/8 Sete de Setembro 8 x 0 Ninão (4), Carazzo (3) e Armandinho
31/8 América 2 x 0 Alameda Ninão e Piorra

Time base: Geraldo (Catalano), Nereu (Cicarelli), Rizzo; Bento, Pires, Nininho; Piorra, Ninão, Carazzo (Malleta), Armandinho (Niginho) e Bengala Técnico: Matturi Fabbi
Curiosidade
Uma determinação da Liga dava o direito ao Palestra da posse definitiva da Taça Campeão da Cidade. Ainda assim, o presidente da Liga, Aníbal Matos, que “coincidentemente” era presidente alvinegro, tentou melar a entrega. Como provocação, os presidentes do time do Barro Preto acabaram expondo a bola da goleada de 5 x 2 sobre o rival de Lourdes. Posteriormente a taça foi entregue.


Escudos do Cruzeiro - Palestra e o atual.
*Wallace Graciano é jornalista, Cruzeirense, nascido e residente em Belo Horizonte há 21 anos.

Um comentário:

Riccardo Troiani disse...

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Riccardo

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