Bem, o Brasileirão 2009 acabou e o Flamengo foi campeão. Dos 5 primeiros colocados, acertei 3 em minha lista de favoritos, o que dá 60% de aproveitamento. Não inclui o Mengo na minha lista porque realmente não acreditava que os rubro-negros poderiam concorrer com Internacional, São Paulo e Cruzeiro. Mas deu no que deu.
Para, nós, cruzeirenses fica uma amarga sensação de que poderíamos ter levado este caneco, mesmo com todos os percalços enfrentados após a decepcionante derrota para o Estudiantes. Basta contabilizar, por alto, no segundo turno: 6 pontos perdidos no último instante contra o Vitória, Avaí e Grêmio; mais 3 pontos desperdiçados contra o Fluminense nos levariam a 71 pontos, 4 mais que o Flamengo. Ficamos, contudo, apenas com a vaga na pré-Libertadores. Todavia, é importante ressaltar o poder de reação da equipe, saindo da 13ª posição para atingir a 4ª, numa arrancada extraordinária e digna de uma equipe de força e tradição como é o Cruzeiro.
Abaixo, listo uma série de pontos positivos e negativos do Cruzeiro em 2009:
Incapacidade de decidir dentro de casa.
Talvez este tenha sido o maior defeito do Cruzeiro este ano. Depois de ter derrotado Grêmio e São Paulo pela Libertadores, o time azul caiu diante do Estudiantes na final do torneio e não conseguiu mais se recuperar. Deixou escapar pontos importantes no Mineirão diante de adversários diretos na tabela (os próprios São Paulo e Grêmio, mais o Palmeiras), ou perdeu para oponentes fracos (Fluminense e Atlético Paranaense).
A evolução monstruosa da equipe nos jogos fora de casa.
O Cruzeiro está a 10 jogos invicto longe do Mineirão. Acredito que o principal fator para tal marca foi o fato do time ter jogado com mais personalidade e ter sido mais agressivo fora de seus domínios. Claramente, há um dedo do treinador Adílson Batista nesta evolução. A manutenção desta característica será de suma importância para que uma equipe que deseja decidir novamente a Libertadores e lutar pelo título brasileiro.
A manutenção de Adílson Batista no comando.
O treinador paranaense conseguiu levar o Cruzeiro novamente a uma final de Libertadores e garantiu o time – mesmo tendo disputado boa parte da primeiro turno com uma equipe mista – na 4ª posição do Campeonato Brasileiro, o que mostra que Adílson tem domínio sobre o elenco. Não acho justo que a perda da Libertadores seja creditada na conta do treinador celeste. Também concordo que ele ainda inventa nas modificações em determinadas partidas, apesar de suas invencionices terem diminuído significativamente. A manutenção de Adílson e da base do elenco será fator fundamental para a continuação de um estrutura vencedora.
O Cruzeiro conseguiu montar um bom núcleo de jogadores, o que permitiu ao time – mesmo com inúmeras contusões e negociações de jogadores até então titulares (como Wagner e Gérson Magrão) – disputar as cabeceiras de duas competições extremamente difíceis como a Libertadores e o Brasileirão. É óbvio que novas aquisições são necessárias, como um lateral-esquerdo e um lateral-direito, um ou dois zagueiros e um meia-atacante. Do elenco atual, talvez apenas o zagueiro Thiago Heleno (que vive péssima fase) e o hprrível Soares devessem ser negociados. Merecem destaque, porém, o sempre seguro goleiro Fábio, o versátil Marquinhos Paraná, o sempre dedicado Jonathan e o promissor Diego Renan.
O volante conseguiu calar os críticos (eu, inclusive) e se tornou peça fundamental no meio-campo azul, desbancando até mesmo Fabrício (que viveu um péssimo primeiro semestre). Fez gols decisivos contra São Paulo, Estudiantes e Coritiba, além de ser incansável na marcação e na execução de suas tarefas táticas.
Com Kléber contundido, Wellington Paulista e Guérron instáveis e Soares completamente sem ritmo, Ribeiro fez gols importantes – principalmente na arrancada do segundo turno do Brasileiro -, brigou e correu muito. Talvez ainda lhe falte um pouco mais do senso de matador e da eficiência do Gladiador, mas sem dúvida Thiago foi uma peça importantíssima no esquema celeste.
O capitão cruzeirense foi sempre seguro na grande maioria dos jogos, além de marcar gols importantes (contra o São Paulo pela Libertadores, contra o Sport em Recife e principalmente contra o Atlético Paranaense – gol que manteve o Cruzeiro vivo pela vaga na Libertadores). Seu profissionalismo e espírito de luta melhoraram bastante o setor defensivo celeste.
Os vacilos nos últimos minutos dos jogos.
O Cruzeiro deixou escapara, nos últimos instantes de algumas partidas, pontos preciosos que poderiam ter lhe dado o título brasileiro. Foi assim com o Vitória (3-3 após estar vencendo por 3-1 até os 41 do segundo tempo), Grêmio (1-1 com um gol tomado aos 46 da etapa final) e Avaí (outro 1-1 com gol tomado após os 40 do segundo tempo). Um importante ponto a ser corrigido para 2010.
A queda do mito de que “O Cruzeiro não tem raça”.
Um dos argumentos mais batidos da torcida alvinegra é de que o time azul não tem sangue. Depois de 2009, fica difícil afirmar isto. O Cruzeiro se classificou diante de São Paulo e Grêmio na Libertadores em verdadeiras batalhas fora de casa; conseguiu viradas heróicas contra Santo André e Sport; conseguiu um empate heróico contra o Atlético Paranaense no último lance e garantiu o quarto lugar no Brasileirão vencendo, com um jogador a menos (aliás, o Cruzeiro jogou diversas partidas com jogadores a menos), o Santos, na Vila Belmiro. O que não faltou este ano foi doação por parte do time celeste.
(Nossos fregueses, ao contrário, não conseguiram mostrar a sua tão auto-proclamada “raça”. Foram incapazes de mostrar força e vencer jogos nos quais tomaram um gol primeiro, fato que ficou ilustrado nos 3 últimos jogos no Mineirão.
Aliás, outro mito caiu nesse campeonato: O de que a “Massa” empurra o Galo para cima dos adversários no Mineirão. Esta falácia, uma das mais velhas e mais utilizadas pelos penosos e pela Galopress, também foi refutada: mesmo empurrado pela “massa”, o alvinegro não conseguiu vencer Flamengo e Inter, em jogos que poderiam ter dado o título ao Galo. Mesmo com mais de 50.000 sofredores nas duas partidas, o Atlético não conseguiu sequer empatar e despencou pela tabela, sendo ultrapassado pelo Cruzeiro mesmo depois de estar 15 pontos a frente da equipe celeste.
Um terceiro mito que está por cair – e que só não caiu ainda por causa do intenso processo de lavagem cerebral feito pela Galopress – é aquele de que o Galo é um time de “tradição” do futebol brasileiro. Fica difícil afirmar que um time é tradicional se o mesmo não ganha um título de expressão há quase 40 anos. Obviamente, pessoas argumentar que o Atlético não ganha títulos, mas leva muita gente aos estádios. Ora, o Remo do Pará e o ABC de Natal também levam muitos torcedores aos seus jogos, e nem por isso podem ser considerados times tradicionais no contexto nacional. Além do mais, se torcida fosse parâmetro para definir a tradição de um time, a China era a seleção mais importante do mundo. Daqui há 20 anos, se alguém quiser pesquisar os maiores times do futebol brasileiro no final do século XX e começo do século XXI, certamente irá procurar a lista daqueles times que venceram torneios e não daqueles que levaram mais torcedores aos estádios. É claro que este tipo de argumentação não surtirá efeito contra os argumentos apaixonados da Galopress e da alienada torcida atleticana, mas fica aqui a menção.)
O profissionalismo da diretoria cruzeirense.
Tenho certeza de que muitos diretores de outros clubes brasileiros (quem seria?) demitiriam o técnico Adílson Batista após a perda da Libertadores e da sequência fraca no final do primeiro turno do Brasileiro. Contudo, a diretoria celeste não cedeu às pressões da torcida e da Galopress e acreditou num trabalho de longo prazo que já vem surtindo efeito e esteve muito perto dos títulos neste ano. Claro, acredito que se Adílson não for capaz de ganhar a Libertadores ou o Brasileirão no ano que vem, ele não deverá ficar.
Resumindo, 2009 foi um ano no qual o Cruzeiro poderia ter novamente conseguido a Tríplice Coroa, mas que acabou com apenas o título do Mineiro, o vice da Libertadores e um valente 4º lugar no Brasileiro. Para a maioria dos times brasileiros, já seria uma temporada para entrar para a história. Mas, para os padrões celestes, nada mais foi que um ano de oportunidades perdidas.
Saudações celestes!










